A cidade era diferente.
As pessoas, as ruas, os sentimentos, as músicas, as lojas, os produtos... Tudo era estranho no olhar puramente humano.
O comércio ali vendia sentimentos a granel.
Era chegar e pedir: "Moço; meio quilo de carinho e cem gramas de ódio, por favor."
Ao chegar em casa era só tirar da bolsa e colocar no potinho. Para alguns era prático.
Quando a companhia era boa, levava na bolsa: bom-humor, calma, carinho e paciência, e quando era gente chata, carregava bem mais paciência que o normal e um pouco de raiva. A raiva sempre era usada no fim do papo.
Teresa morava nessa cidade humanamente estranha, e sempre achava ruim carregar sentimentos na sacola.Na verdade, Teresa que era estranha pra cidade.
Pra ela não era nada prático ter que sair com potinhos tão preciosos assim; a mercê de qualquer pessoa. Se a bolsa fosse um pouco menor, ou transparente não haveria suspense sobre suas emoções; que rumo o flerte poderia tomar, ou a decepção que poderia sentir ao ouvir que o emprego não era dela.
Foi nesse momento então que ela decidiu não mais carregar sentimentos.
Teresa teria sempre o mesmo rosto; a mesma cara sem expressão, a mesma face sem sorriso e conseqüentemente seria sempre uma incógnita pra todos.
O tempo passou... E a vida foi ficando cinza, foi ficando cinza, foi ficando cinza, até que num determinado momento Teresa não passava de uma tábula branca; e apesar da existência cândida, só sabia abrumar a existência de quem a via.Continua...?
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Ps: Ele é lindo. Pena que não é meu.
Pena que não sabe que o desejo.Pena que ele está em outro estado.=/